Novas tecnologias em prol da educação e da cultura

 
Como os meios de comunicação podem oferecer alternativas para elevar o nível educacional e cultural da população.
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Está cada vez mais repetitivo dizer que estamos vivendo a era da revolução da informação, quando as novas tecnologias digitais atingem cada vez mais pessoas. Essas tecnologias têm o poder de eliminar as barreiras da distância relacionada à língua e à cultura, além de modificar a maneira com que as informações chegam ao destinatário, ou seja, têm o poder de modificar a maneira com que as informações são vistas e entendidas. Surge, então, a questão: o que está sendo passado pela internet oferece novas alternativas de elevar o nível educacional e cultural das pessoas? Para responder esta pergunta é preciso voltar ao passado, quando a internet sequer existia.

Os anos 40 foram marcados por uma verdadeira proliferação dos meios de comunicação de massa. Jornais se diversificavam, rádios cresciam rapidamente (além de ser um aparelho acessível a todos, oferecia notícia e música), o cinema passava por uma transformação (ganhava som e cores), surgiu a televisão etc. Nos anos 50 e 60, os Estados Unidos passaram a usar os meios de comunicação para expandir suas fronteiras político-econômicas. Um exemplo disso foi a difusão da cultura pop.

Música, cinema, rádios e jornais passavam o estilo americano de viver. E o mundo começou a pensar de forma igual. Neste momento, crescia, com os meios de comunicação e com a indústria cultural, a educação. Com a expansão americana, a cultura e a educação eram bens materiais que deveriam, bom ou ruim, estarem ao alcance de todos. Afinal, o papel da mídia é divulgar idéias, em sua plenitude. Ao ser humano cabe filtrar estas idéias, selecionando o que lhe é válido do que deve ser descartado.

Naquela mesma época, 90% da programação das rádios brasileiras era de música americana. Na televisão, eram freqüentes filmes americanos de gangues e grupos marginais, com muita violência. Hoje, aprendemos a valorizar nossa música, e nosso cinema teve a qualidade bastante elevada, embora ainda estejamos atrelados ao que poderia ser os valores de entretenimento e lazer dos americanos.

Data de 1985 um programa de educação do governo com o objetivo de utilizar os meios de comunicação como forma de elevar o nível educacional e cultural dos brasileiros. Hoje, passados quase 22 anos, nota-se que os meios de comunicação nunca foram envolvidos em uma boa proposta para educação e cultura. É certo que houve mudanças positivas, porém não na quantidade necessária. Um país precisa ter sua produção cultural em permanente expansão.

O crescimento cultural e educacional de um país depende do deslocamento de seu modelo de produção do poder do capital para o conhecimento. Analisando o Brasil, especificamente, percebe-se que ele nunca esteve alheio aos acontecimentos do mundo – mesmo com seus quase 30 milhões de analfabetos. Sempre houve uma mobilização que fazia com que o Brasil estivesse atualizado com as transformações mundiais.

O compromisso com as questões educacionais no País, na área da tecnologia, tem sido ampliado. Hoje, a tecnologia supera os limites de espaço e tempo, de modo a propiciar que pessoas de diferentes idades, classes sociais e regiões tenham acesso à informação e possam vivenciar diversas maneiras de representar o conhecimento.

A lenta, porém constante, participação dos brasileiros na educação ocorre em um período em que os meios de comunicação também se desenvolvem. Os programas de educação na TV (incluindo os canais fechados), apesar de ainda não serem suficientes, cresceram, assim, a publicação de revistas educativas.

A convergência digital é um novo estágio da economia mundial. E, em um país, quanto mais gente tiver condições de usufruir do sistema econômico em seu novo estágio, mais crescerá e produzirá riquezas. No Brasil, as novas tecnologias nunca estiveram disponíveis, ao mesmo tempo, para todos, mas é importante que o maior número de pessoas tenha acesso.

Junto com todas as mudanças na tecnologia, está a opinião do povo, que, muitas vezes, acusa a ineficiência dos meios de comunicação para elevar o nível cultural e educacional das massas. Falta ao povo entender que a finalidade da internet deve ser a troca de conhecimentos, fazendo com que o povo não perca o foco nas coisas que estão sendo desenvolvidas no mundo.

Um país não pode deixar a educação parar de crescer. Mas isso não é uma tarefa fácil. É preciso parceria da sociedade com o Estado, envolvendo empresas, sociedade civil e governo. Só com empenho e união de todos, as novas tecnologias conseguirão trabalhar para elevar o nível cultural e educacional das pessoas.

34º Fórum de Debates Projeto Brasil - Indústria da Cultura e Convergência Digital

O setor tecnológico tem grande potencial de investimentos, a concorrência provoca uma incessante renovação de padrões e exige constante atualização. O dinamismo da tecnologia cria oportunidades para empresários em geral e interfere de maneira intensa no mercado de produção e distribuição de bens culturais. Nesse cenário, e através da análise da necessidade de políticas de longo prazo, o 34º Fórum Projeto Brasil - Indústria da Cultura e Convergência Digital, que aconteceu no dia 13 de setembro, organizado pelo jornalista Luís Nassif (Dinheiro Vivo Agência de Informações), discutiu o papel dos atores envolvidos no setor cultural e tecnológico, além das perspectivas para o mercado mundial e brasileiro e a ruptura de antigos padrões adotados.

A abertura do evento ficou por conta do ministro da Cultura, Gilberto Gil. Suas informações ressaltaram a importância da valorização da identidade regional presente em todo o país. Para o ministro, a convergência digital deve trazer benefícios coletivos, e por isso deve atuar como um tecido disseminador de cultura. Em seguida, Stan Braz, presidente do Instituto Brasil para Convergência Digital – IBCD, traçou um panorama histórico da comunicação social. Ele falou sobre a Indústria Cultural e Convergência Digital no Brasil, e como o crescimento e diversidade das novas tecnologias digitais poderão modificar a maneira em que as informações chegam às pessoas, mas não poderão decidir que tipo de informação chegará a elas. Disse ainda que as tecnologias podem oferecer novas alternativas de elevar o nível educacional e cultural das pessoas, mas os meios de comunicação decidirão o conteúdo.

Renato da Silveira Martini, Diretor Presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, mostrou as incertezas que poderão surgir no decorrer do processo de convergência digital. O vice-presidente da Samsung, Benjamin Sicsu, exibiu projeções do mercado de tecnologia que indicam a concretização do processo de convergência.

No segundo painel, Eduardo Morgado, Professor do Departamento de Computação da Unesp/Bauru, e Sérgio Sá Leitão, Assessor da Presidência do BNDES, debateram sobre o setor de pesquisa tecnológica brasileiro e os possíveis fomentos do Estado. Baseado em números do setor tecnológico e nas principais preocupações de investidores e acadêmicos, Morgado caracterizou o momento como crucial para o processo de convergência. Para ele, a situação pode ser considerada como um ponto de inflexão com duas opções: ou o setor avança ou há decadência profunda. Morgado também destacou a atuação dos jovens como indispensável para mudar paradigmas e estabelecer novos conceitos.

Um dos pontos analisados pelo pesquisador foi a escolha do padrão japonês de TV digital, que deveria ter conduzido o Brasil a uma situação harmônica, mas fez exatamente o oposto. “Empresas de telecomunicações, redes de televisão e indústria de TI participam de uma ‘corrida do ouro’, o que representa mais divergência do que convergência digital”. Outro assunto abordado por Morgado foi o desrespeito à Legislação de direito autoral: “há certa tolerância ao direito autoral que deve ser coibida”. O baixo desempenho dos computadores disponibilizados à população também foi questionado. Apesar da ótima avaliação do programa Computador para Todos e da Lei de Inovação, “é necessária a banda larga para permitir altos índices de interatividade e conseqüentemente mais convergência”.

As prováveis incertezas jurídicas que podem surgir com o avanço da convergência tiveram espaço no terceiro painel. Daniel Igarashi, Bacharel em Sistemas de Informações da Unesp/Bauru, e Floriano de Azevedo Marques, Advogado da Manesco, Ramirez, Perez, Azevedo Marques Advocacia, debateram a regulamentação do setor no Brasil e no Mundo.

Igarashi citou pontos ainda sem regulamentação e casos de divergência mundialmente conhecidos para demonstrar a proporção dos gargalos. O controle de conteúdo e a adaptação dos modelos de negócios, inicialmente elaborados sem suporte a altos padrões tecnológicos, são os principais entraves. Sites em que o conteúdo não é inserido por administradores fixos, como o YouTube, geram impasses quanto ao controle de dados. “Ainda falta um código formal para regulamentar casos de violação de direitos autorais, de veiculação de material impróprio e de crimes que migraram para o mundo virtual”, afirmou.

De acordo com Igarashi os problemas operacionais e regulatórios que podem ameaçar a Internet são: excesso de oferta, links e outras ferramentas que permitem rápida navegação e acabam dispersando o usuário; custos operacionais, os custos na internet crescem proporcionalmente ao número de usuários atendidos, quanto mais pessoas assistem a um vídeo, maior o custo, pois cada usuário recebe os dados individualmente; e adaptação do modelo de negócios, a falta de meios de proteção padronizados dificulta ainda mais o controle de dados na rede.

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